sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tempos difíceis

E eu que pensei 
Que já tinha falado
Eu que pensei
Que tava tudo errado

Ainda há de piorar
Ainda há de desmanchar
Um mundinho inteiro de rancor
Por culpa de sei lá quem

Entre nós dois tanta coisa
Que é até difícil saber
O que temos a perder

E ganhar já não faz parte
Cada um com seu jeito aparte 
E tempos difíceis me convêm 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Brado solitário

Gritou de dor
Clamou por Deus
Vã esperança
Trazida dos seus

Chamada loucura
De quem esqueceu
Paz e tortura
Cairdes num breu

Pedidos amenos,
Lágrimas de rancor
De filhos pequenos

Perdidos no tempo,
Com falta de amor
De um herói desatento

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Olhos de água

Olhos de água
Num mar de solidão
Coração de mágoa 
Cercado por paixão

Canto vão e maldito
Dum cantor perdido
Que nem ao menos sabe
O que lhe faz feliz

Ares de aprendiz
Jovem aventureiro
Aventurou-se nas ruas
Do Rio de Janeiro

Num país de carne
Criado na mente
Pútrido pensamento
Que lhe faz andar
Seguir a diante
Querer amar

Num tempo de sorrisos
Cegos feridos
Crianças nas ruas
Com as almas nuas
Sem criação, nem perdão
Não tem Deus nem pão

Apenas um sopro de bondade
Que se vê em meio a toda a vaidade
Num apartamento de luxo
Em meio a todo esse lixo

domingo, 4 de novembro de 2012

Era verdadeiro

O que sentes
Olhando pro nada
O resto da vida
Os olhos cansados

Tamanha ferida
Que fiz em você
Menor que a qual
Me fizeste sofrer
Porque tanto ódio? 
Pra quê tanta dor?

Tamanho remorso
Tamanho rancor

Vivo com isso 
Sem ao menos transpor
Que além de tudo
O que sinto é amor 

De água a vinho

O quão sofres agora ?
Por um aperto na garganta
Por um amor correspondido
Estás aí a definhar

Não vejo-te mais lá fora
Aquele belo sorriso
Não queres mais mostrar
Pois sabes que não adianta

O quão sofres agora ?
O quanto sofreu outrora ?
Precisas dizer adeus

Precisas continuar a seguir
Continuar os caminhos teus
Apenas deixar ir

               
               - Fabricio Lopes -

Carma

Vi faltar o brilho
Vi tudo sumir
Olhos de um filho
Que nunca sorri 

Vi ficar sem ar
Vi tentar tossir
Faltas-te força 
Pra tentar prosseguir 

Vi indo embora
E não pude fazer nada
Chamei por seu nome

E continuou deitada
Já era a sua hora
Acabou-se a jornada


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

De hoje a oito

Não temos mais o que falar
Nos resumimos ao que somos
E o que somos não tem verbo pra rimar
Nem adjetivos. Apenas somos

E deixamos passar
Os dias e os anos
Deixamos de sonhar
E não sabemos o que fomos

Como anda a tua vida?
Só isso que tem pra me falar?
Provoca-me o tempo todo

Só por provocar
E de todo modo
Não deixa de me amar