terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Noites no mar

E eu não vi nada
Nem vejo
É só desejo
Só vontade.

Não sinto as pernas
Me falta o ar
Me falta o mar
Doce e gelado
Sob o salgado luar
As saudades e os vazios
Perdidos aleatoriamente
Enterrados de gente
Apertados na mente

Destruindo minhas noites
Sem ninguém saber

Calado e sofrido
No ardor que é viver 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Caixinhas de paz

E o cigarro me perturba
Mais uma vez, querido amigo
Mais uma vez, na tosse,
Inimigo.

E a cachaça me afoga
Outra vez, doce, e ardente
Outra vez, amarga
Que nem gente.

Gente demais
Pra falar a mais
Pra falar dos mais
E dos males apenas
G-e-n-t-e
Gente que nem sente
Nem sequer entende
O mal de viver no meio
De tanta gente.

Prefiro os cigarros
E a velha cachaça

Pra fugir da desgraça
Que é não ter paz

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nas gargantas

Uma palavra
Que mudou de repente
No meio da mente
Num passo constante

De seguir adiante
Indo pra trás
Sem ao menos, paz
No que retrata

O tempo cego
Nas coisas que só
Nas coisas apenas

No mar, sossego.
As palavras dão nó
Nas almas pequenas

Os fortes

Sou sagaz
Nas coisas amenas
E por menor que seja
É o que a gente faz

Sou forte
Quando lido com problemas
E por mais ruim que esteja
Rezo por um pouco de sorte

Mas sempre choro
Quando chego em casa
E abro a geladeira

Eu pergunto e imploro
O porque de tanta brasa
E não uma brisa, calmeira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A flor

E com pouca sensatez
Estupenda seja a flor
De sangue amedrontado
Com dentes amarelados

Rindo do ardor
Das questões inacabadas
Das feições equivocadas
De uma eterna estupidez

Convocada regalia
Pra todos os plebeus
De uma morte, maioria

De um dos filhos seus
De miséria à tirania
Em eterna romaria

As luzes do Norte

Encanto de luzes
Com data marcada
Da mãe do raiar
Dos ventos do norte

Com um pouco de sorte
Se vê brilhar
As cores arcadas
Num céu de verdes

Canções das virgens
Suadas nas guerras
Das almas levadas

O tempo me espera
Dos fogos do norte
Do sol terrestre

sábado, 8 de dezembro de 2012

Em cinco minutos

Eufemismo pra dor
Se faz na madeira
No suar do corpo
De quem os odeia

Eufemismo pra mentira
Se faz a fumaça
Que cobre a desgraça
Da pura verdade

Nas flores das ruas
Nas avenidas dos galhos
Os amores, quebrados
Os horrores passados

Eufemismo que faço
Pra falar do que passo

Não conto a ninguém, mas todo mundo já sabe
Que o tal eufemismo, me faz na vontade
De quem sabe, verdade, ou até na maldade
Do olhar passageiro que me convém
Como Deus alheio no mundo de homens
No mundo de criações, se faz mentira.
Como Deus alheio.