quinta-feira, 18 de julho de 2013

O ato mais humano




E o talho na pele
Fez o sangue jorrar
Todo homem é feito de água.

 "Que serve pra chorar."

Algumas camadas de carne e músculo, até encostar nos ossos
Retirem a pele, retirem todos os órgãos.

E é só isso que o ser humano é.

Um saco de carne com alguns ossos dentro pra mantê-lo de pé.
E você ainda me pergunta o porque do meu afogamento no vinho; da minha vida por um fio

É tudo um grande nada, tudo um saco de bosta.
E nós complicamos tudo.

Depois que se mata um homem se enxerga tudo de outra forma.
O sangue nas mãos não nos deixa sermos os mesmos que eramos

E você tira o cigarro do bolso, com as mãos sujas de sangue,
"Tente relaxar"
E você vê o mundo girar
"Ninguém vai te achar"
Como se ninguém fosse te notar.
"Não olhe pra trás!"

Um assassino perfeito
Incapacitado de (se) amar.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vácuo

Conte ao vazio
O que te atormenta
Pergunte a sua alma cinzenta
Por que tudo vai mal
Pergunte e insista
Procure a resposta.

Se cale pro mundo
Esqueça os sorrisos
Ao seu redor

Pergunte por que
Insista em saber
Procure no fundo
Nas suas lembranças
Volte ao seu tempo de criança
Pra entender

Busque mais do que tudo.

Ache a resposta
Siga na luta
O que te perturba ?
A noite vai te dizer
O que precisa saber

A lua pôde ver
Com as estrelas a brilhar
Lá vai estar
Sua resposta

Conte ao vazio
Que conhece seus medos
E segredos
Ele conhece as suas duvidas
As suas angustias
Conte ao vazio
Ele pode lhe dizer
O que precisa saber
E fazer
Pra acabar com o seu vazio
Conte ao "vazio"
Ele pode lhe salvar

E assim você seguirá em paz.


                     - Fabricio Lopes -

Amém

─ Tudo ficou mais sério agora.
─ É, mas eu ainda não me importo.      
─ Quem não entende o valor, não dá valor.
─ É injusto julgar as pessoas assim, sem ouvir ambos os lados.
─ E você vai falar?
─ Não.


"É desumano abençoar, quando somos amaldiçoados."

Amém.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Vagueio

Vagueio, e vago permaneço
Andando por aí, sem realmente estar

Finjo os sóis que me rodeiam
Enquanto me encharco nas minhas próprias nuvens
Sem ao menos desejar

Enfrento, os ventos e as noites,
A luz do sol que deixou de brilhar,
Lua minguante, carente e falante
Que vive aqui por perto à sussurrar

Fecharam as janelas
E então parou de chover
Dentro ainda pingava
Mas era só você.

Passei correntes em volta
E placas avisando o bloqueio
Quem estava de passagem
No máximo teve anseio

Restou pouco
Por isso
Vagueio
         


Já estive melhor.



domingo, 14 de julho de 2013

Passou

Foi-se o tempo
E eu nem vi
Fiz bobagens
Mas assumi

Pra mim mesmo, que seja
Talvez tenha sussurrado...
Culpa de quem não ouviu

─ E o que restou?
─ Pouca coisa, uma foto, duas talvez, só não sei onde está.
─ Sente saudades?
─ Do tempo perdido. Sim

Foi-se o tempo
E eu nem vi.

sábado, 13 de julho de 2013

Barulho à porta

Chuva rala
E um chapéu de palha
A fumaça mostra
A direção do vento

Cidade morta
Barulho à porta
Que vai de contra
Ao meu tempo

Da janela da frente
Se esconde os dentes
Perdido na polidez

De um sorriso
Ou timidez
A cidade deu seu aviso

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sentença

Tão rápido eu corro
No final eu morro.

Me vejo perdido
Com uma mente embaralhada
Ouço vozes aqui e ali
Gargalhadas

Tão rápido eu corro
No final eu morro.

Eu tento me salvar
Me livrar dos pesadelos
mas é sempre igual
E é tudo real

Tão rápido eu corro
No final eu morro.

A minha visão falha
Me sinto arfar
Não consigo mais lutar
Devo desistir

Tão rápido eu corro
No final eu morro.

A cada dia
Estou mais cansado
Cansado de tentar
E fracassar

Tão rápido eu corro
No final eu morro.

Preciso desistir
Pelo bem de mim
Acho que esse é o fim

Tão rápido eu corro
No final eu morro.


                     - Fabricio Lopes -