sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fugi da paz

O que todo mundo quer é ganhar
E ganhar é ter paz, é ter felicidade.
    Mas a gente se acostumou com o caos
              Com o contraste

O que a gente tem é cansaço,
Acorda cedo e deita tarde.
    Mas a gente levanta pra trabalhar
              E deita pro intervalo.

O que a gente tem é nosso
E com o tempo expira
    O que a gente tem é nosso
               E se não cuidar vai embora
          Vai embora, monta família e vai trabalhar pro governo também.
Como todo mundo faz. E se aposenta. E passa o resto da vida na frente de uma televisão
Numa paz ilusória que é concedida no final das nossas vidas.

Onde as poltronas e os televisores de plasma estão todos em promoções com 40% de desconto.
Onde a diversão são os reality shows.

É a paz que eu não quero ter.

domingo, 3 de novembro de 2013

Cauterizar


Um tanto aqui pra te acomodar
As flores no jardim
Eu sei é pouco demais
Ter apenas a mim.

Talvez um pouco mais perto
Pra me obedecer
Os desejos que eu mesmo tive que conter

Em quanto tempo a gente fez

Esse castelo outra vez, caiu.
E fez chorar um rio

Que eu tive que conter

O trem das nove

A saudade me vem
Como o trem das nove que eu perdi
Por acaso
Com o atraso da minha cidade velha.

E me lembro dos sorrisos que tirei
Dos amores que roubei
E do que quero de volta
Me lembro dos amigos que deixei
Das loucuras que fizemos juntos
E isso não me conforta.

Preciso voltar ..
Preciso voltar ?
Me pergunto sempre,
Se preciso mesmo ...
Mas a resposta está aqui.
Então eu lembro de todos que eu tenho hoje
De tudo o que eu poderei fazer amanhã
E talvez a resposta seja:
Não, eu não preciso voltar
Eu posso fazer tudo de novo
E vou fazer tudo de novo.

Sem me arrepender,
Ou me prender
Aos meus erros.

Viva, viva com toda a intensidade
Que lhe faltava antes
Viva, por que a eternidade
É uma dádiva a muito privada da nossa existência.

Sorria sempre, Cante e assobie
Faça o que lhe der vontade
Grite, alto pra que todos possam ouvir
Você é o dono do mundo ..
Ou ao menos do seu mundo

E lembre-se sempre:
Você só vive uma vez.
              
               
                   - Fabricio Lopes -

domingo, 20 de outubro de 2013

A flor me toca
De revés ao teu beijo
No olhar sufoca
Finjo que não vejo

E toda flor com seu cheiro
Me cativa, me convida
Cada flor na sua vez
Duas ou três 

Rosa pequena
Flor de Jardim
Deitada pra mim

Na seiva afogada
Jaz ali. cansada
Esperando por mim

Amor de poeta

O amor é minha droga, não o sexo.
O sexo é consequência, o prazer é necessário.
Mas o amor é o que todo poeta precisa pra manter a mente anestesiada o suficiente pra escrever.

Todo mundo quando ama é poeta.
Então eu amo, cada palavra, momento, e dor.
Cada conta, detalhe e suor.
Cada gota, cada flor.

Eu amo quem me odeia e me desapego do desprezo
O amor nada mais é que um tempo pra pensar
No que vamos poetizar.

sábado, 19 de outubro de 2013

Pra mim mesmo

Em outros tempos
Tampouco amenos
Dizia-se que amores
Vão e vem

E temores também
Dizia-se que tudo tem porem
E que amar sozinho é ser refém
De uma arma apontada pra ninguém

 


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Colidir o tempo com o afeto
Debaixo dos lençóis
Do nosso próprio teto

Invadir o céu, banhado de enxofre
Com carvão e salitre
Para tudo explodir.
Colidir as vidas
Sem se ferir

Cuidar do que se tem
Mesmo sem ter nada
É o que a vida tem
É o que eu sigo em disparada

Um abismo de nada
E figuras abstratas

Fui o único que vi
O céu desmoronar
O único problema
Que não se pode solucionar

Quanto custa o preço de amar?