sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Daqui à sei lá

E daqui à dois anos
Daqui à dois dias
Quem sabe, noites frias
Me aguardam por sob a moita 
Me esperam pra sofrer
Como quem já não sabe ver

E daqui à dois anos
Daqui à dois dias
Quem sabe eu não esteja mais aqui
Talvez eu só esteja. 
E não sei se alguém me procura
Se alguém me fareja
Se alguém liberta, se alguém me cura.

Nego tudo o que sou e as vezes tudo o que tenho
Pouco que seja, fodo os meus olhos, fodo minha vida
Acabo largado no canto da cama, papéis demais,
Anos demais. Dores na carne cicatrizariam mais rápido.

Eis que então me pego sem moedas
Não se pode atravessar.
E ficar aqui parado, não vai trazer você
De nenhum lugar.

E daqui à dois anos, espero não mais estar

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pra toda a vida

Pra se encontrar
Alguém tem que agir
Pra se fazer
Tem que deixar ir

Pra o mundo olhar
Alguém tem que ser,
Outro tem que vir
Pra alguém ir

Pra onde quer que vá
Tem que sorrir
Mesmo não estando lá

Pra onde você for
Leve uma flor
Pro primeiro que vir

Cansaço

Cicatrizamos uma ferida
Arriscando-se todos os dias
Até abrirmos outra
Que seja maior que a antiga

Se não fosse pela preguiça
Eu até iria
Atrás de outra lura
Atrás de toda a cobiça

Se não fosse pelas pernas cansadas
De andar em círculos mal feitos
Feitos nas estradas
Com facas cravadas entre os peitos

Se não fosse pelas dores que sinto
Aqui no que chamam alma
Onde sempre me falta alento
Onde sempre me falta calma

Se não fosse pelas desculpas que acho
Pra fugir do cansaço
Que é amar de novo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

São

Eu queria ver a minha cidade
Com um pouco de beleza
Que falta na alma do povo
E entristece meus ancestrais

Eu queria ver a minha cidade
Lutando contra os que a trai
Fazendo algo novo
E mostrando um tanto de nobreza

Eu queria ver a minha cidade
Expurgar-se dos ignorantes
Vê-la um pouco mais brilhante

Eu queria ver a minha cidade
Que é "de todos os santos"
Por cima de todos os restos.

                    - Fabricio Lopes -

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O silêncio gritou


Demasiadamente humana
Se fez de mentira
A confiança perdida
Com quem te engana

Demasiadamente perdida
Se fez de choro
Com o que te imploro
Ao som da ferida

Demasiadamente imploro
Mas já me arrependo
Mesmo assim decoro

Demasiadamente arrependo-me
Ainda tremendo
Clamar seu nome

Deuses

Ou só finge
Com intensão

Como quem tudo quer
Porque nada tem

E o ego é tão grande, que faz parecer
Que perto de mim, Deus ele é

E chega a hora do porém
Mas afinal, ele é.
Nego até o fim
Mas ninguém chega ao fim,
Sem um pouco de fé

Todos nós somos deuses
Da nossa própria vida.
Temos poder de tirá-las.

Alguns, muitos.
Tem poder de tirar quantas quiserem.

Mas tempo é o que nos falta
Quanto tempo perdemos tirando vidas
Em meio ao caos que criamos,
Fazendo feridas
E a vida que perdemos sem notar
Passa rápido demais.
Num piscar.

Sou Deus de minha vida, e de quantas eu tirar.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pés

Sempre tem um escape
Nos pontos em que menos olhamos
É como uma surpresa
Que estava o tempo todo ali 
Esperando pra ser aberta 

A surpresa se faz de massagem
A massagem me faz de besta

Perco a vontade de rimar
E começo apenas a escrever
Sobre as coisas que me vem acontecendo.

Morenas que passam por mim
Olhos bonitos. Cabelos, cheiros
Cheiros esses, que ainda nem senti

Mas me restam esperanças, mais uma. 

Fico pensando onde tudo vai acabar
Se eu deveria começar
Mas acho que já comecei
Nunca se sabe.

Eu nunca sei.

Nos contos sempre dão certo
Mas só escrevo coisas erradas.

Deve ser pra representar a minha vida torta
Onde toda janela, é porta.
Por ausência mesmo.

Por querer, eu só tenho você.
E o resto do mundo.