domingo, 15 de setembro de 2013

Dragão sem tesouro.


Guardo suas fotos
E finjo que ainda é você

Fui dragão enquanto você era tesouro

Morri lutando, ensanguentado!
E por fim, aviltado por você.
Que mesmo chorando, continuou a dizer.

Amar pra sempre é nada ter
Amar pra sempre é mentir

Você me amou o quanto pôde, eu ainda posso
Mas nada tenho, e ainda minto.

Você tripudiou de mim o quanto pôde.
E ainda choro.
Mas tudo bem, eu também minto.

Meu bem, meu mártir.

Enfim me conheço
Do tempo que estive aqui,
Talvez, as vezes sorri,
Mas quem enfim poderá dizer?

Enfim me conheço
No começo e no fim.
Enfim eu me perco
Por onde você está por ir

Meu bem, meu mártir,
Vivencio o papel de vilão e herói.

Encravei uma faca no meu próprio peito e continuei vivo.
O espaço que há entre você e o abismo
O espaço que há entre mim, e o céu.

Foi-se o tempo que eu me amava
E retribuía
A zona de conforto acabou
E eu me matava
E retorcia

Agoniava.
Até enfim
(...) Voltar a me conhecer.
A grande festa
Estampada na cara
Em cada um
Que empunha a espada

"Ei! Você! Olha aqui. Aqui eu."

Assim, o mundo se rendeu
E quanto mais " Aqui eu " melhor
Por enquanto... Antes de tudo virar pó.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

II

Nas plantas mais belas
Existem espinhos,
Das vozes doces
Aos olhares mesquinhos

Das noites acordado,
Sozinho.

Do outono vermelho
Da morte das árvores

Você, meu raio de sol,
Deixou morrer as flores
Que eu te dei,

Deixou apodrecer
Como folhas no outono,

E eu sorri
No meio do choro, do soluço,
Sorri porque sempre soube
Que não deveria
ir

I

Num mundo em que todas as notas já foram tocadas
E as rimas, então, rimadas
O poeta as vezes tem que parar e pensar;
O que então se está a demonstrar?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Vida oblíqua

Escolhi o simples
O cuidado acabou
Virei mais um acabado
Desleixado e sem pudor

Feio e derrotado
Preguiçoso e viciado

Onde foram parar os sonhos?
Os cuidados e amores,
Tudo se acomodou

Os jogos de azar me acabaram
E os sapatos não combinam mais

O sono se esvaiu da noite
E minha métrica também foi embora com o tempo
Eu que era todo certo, me vejo errado e desatento
Perdido na sala, sem nada escrever
Poemas tortos em papeis de atividade
Pra tentar absorver a culpa do dever
Que eu deixei de cumprir

A preguiça me aporrinhou até eu desistir
Escrevi errado e tentei corrigir
Pra consertar nunca é tarde
Mesmo errado, já fez arte
E de todo o tempo que eu tenho
O amanhã é a essencial parte

ZzZz

Uma noite perdida
Dois dias seguidos
Tomei uma rasteira do tempo
Mesmo deitado em meus aposentos

Duas noites perdidas
E ainda sem sono
Quem, enfim, é o dono
De mim?